
Importadores, exportadores, tradings e a cadeia do porto
Contabilidade para comércio exterior e cadeia portuária
O complexo de Itajaí e Navegantes movimenta a maior concentração de pescado do país e um dos maiores fluxos de contêiner do Sul. Aqui a margem não se perde na negociação, se perde em três linhas que não entram no preço.
Você opera com margem de poucos pontos percentuais e financia imposto que não é seu.
O crédito entra na conta gráfica na nacionalização, a venda sai imune na exportação, e o dinheiro fica onde ninguém consegue explicar direito. Enquanto isso o capital de giro que sustenta o embarque vem de banco, a CDI mais spread.
E no fim do trimestre a margem veio menor do que a proposta dizia, sem que ninguém consiga apontar onde.
- Você calcula a margem da operação depois do embarque, e não antes de fechar o preço.
- Você acumula saldo credor e não tem projeção de quando ele volta.
- Você usa drawback em uma linha de produto e nunca verificou se caberia em outras.
- Você não sabe dizer qual das suas operações dá dinheiro e qual só dá faturamento.
- Sua exposição cambial é descoberta no fechamento, e não acompanhada por vencimento.
- Ninguém traduziu para o seu comprador estrangeiro, no idioma dele, como a sua contabilidade funciona.
Primeiro problema: a margem que some entre a proposta e o fechamento
A maior parte das operações de comércio exterior é analisada depois. Fecha-se o câmbio, embarca-se, e no fim do trimestre alguém descobre que a margem foi menor do que a esperada.
Em quase todos os casos a diferença está em três linhas que ninguém carregou para dentro do preço: o custo financeiro do prazo, o crédito que ficou parado, e a variação cambial do período entre a fatura e a liquidação.
Exemplo numérico 1 · uma operação de R$ 2,4 milhões
Mercadoria, frete e tributos irrecuperáveis somam R$ 1.980.000. Prazo de 96 dias entre o desembolso e a liquidação, capital a 14% ao ano.
Cinco vírgula sete pontos percentuais. Numa operação, dá para conviver. Em quarenta operações no ano, é o resultado do exercício inteiro.
| Linha | Costuma estar no preço | O que fazemos entrar |
|---|---|---|
| Mercadoria e frete internacional | Sim | Conferência do incoterm contra o custo realmente assumido |
| Tributos na nacionalização | Sim | Separação entre o que é custo e o que é crédito recuperável |
| Porto, armazenagem e sobrestadia | Em parte | Rateio por operação, com o custo do tempo parado |
| Custo financeiro do prazo | Raramente | Dias entre desembolso e liquidação, ao custo real de capital |
| Crédito acumulado gerado pela operação | Quase nunca | Prazo estimado de retorno e custo de carregar |
| Exposição cambial não protegida | Raramente | Posição por vencimento e o custo da proteção quando ela cabe |
Segundo problema: o crédito que financia o Estado
Exportação é imune com manutenção de crédito. A frase é simples e o efeito de caixa é o oposto disso. Quanto maior a fatia exportada do seu faturamento, menos débito interno você tem para absorver o crédito das entradas, e mais rápido o saldo se acumula.
Exemplo numérico 2 · o custo de carregar saldo credor
Operação com faturamento mensal de R$ 5.000.000, sendo 55% exportação e 45% mercado interno.
O trabalho aqui tem três frentes: reduzir a formação do saldo pela estrutura de compras, transferir a fornecedor o que é transferível, e transformar o ressarcimento em rotina com data, e não em evento que alguém lembra de fazer uma vez por ano.
Terceiro problema: a reforma muda quem credita o quê
Para quem importa e revende, o desenho da não cumulatividade de IBS e CBS tende a ser mais limpo do que o atual. Para quem industrializa a partir de matéria-prima desonerada, ele piora.
O caso mais nítido desta cidade é o do pescado. A matéria-prima entra a alíquota zero e não gera crédito na entrada, enquanto a saída do industrializado é integralmente tributada. Sob o regime de PIS e Cofins que está sendo substituído, o pescado processado tinha alíquota zero com manutenção de crédito. A conserveira de Itajaí piora nas duas pontas ao mesmo tempo.
Quarto problema: o interlocutor não fala português
Quando o outro lado é matriz estrangeira, trading, comprador internacional ou instituição financeira de fora, a conversa muda de formato. Não basta traduzir o balancete. É preciso apresentar a operação na estrutura que aquele interlocutor usa para decidir.
Esta é a página em que a experiência de estruturação de dívida junto a instituições como BNDES, FINEP, BASA, BNB, CAF e BID deixa de ser linha de currículo e vira ferramenta de trabalho. Demonstrações, pareceres e a interlocução acontecem em português, inglês ou espanhol, conforme quem estiver do outro lado.
O que entregamos
| Frente | O que sai da nossa mesa | Ritmo |
|---|---|---|
| Margem por operação | Resultado por embarque com custo financeiro, crédito parado e exposição cambial dentro da conta, calculado antes de fechar o preço | Por operação |
| Saldo credor | Levantamento por origem, plano de transferência e ressarcimento com data | Trabalho inicial e acompanhamento mensal |
| Regimes aduaneiros | Verificação de cabimento de drawback e demais regimes, linha de produto por linha de produto | Projeto |
| Câmbio | Posição por vencimento, com o resultado de variação separado do resultado operacional | Mensal |
| Reforma tributária | Classificação por NCM, efeito na cadeia e redação da cláusula de revisão dos contratos de 2027 | Estudo, com revisão a cada ato novo |
| Interlocução internacional | Demonstrações e pareceres em inglês e espanhol, no formato que a matriz ou o comprador usa | Sob demanda |

Quem assina este trabalho
Antonio Nóboa. Contador, CRC RJ-082992/O-1-T. CFO(BR)® certificado pelo IBEF-SP, certificado nº 301. MBA em Agronegócios USP/ESALQ. Membro da Sociedade Rural Brasileira. Autor de Finanças Corporativas para o Agronegócio: Da Roça às Tradings, Editora Cátedra, lançamento em 2026.
A primeira conversa pode acontecer na sua empresa.
Perguntas que chegam antes da primeira reunião
Exportação gera crédito?
A exportação é imune, com manutenção do crédito das entradas. O problema não é o direito ao crédito, é o tempo até ele virar caixa: sem débito interno suficiente, o crédito se acumula na conta gráfica e passa a custar capital de giro.
Quando o split payment começa a valer?
Foi anunciado adiamento para além de janeiro de 2027, com o recolhimento na liquidação financeira como alternativa opcional. O anúncio se deu em reunião do Comitê Gestor do IBS. Contrato de 2027 não deve assumir o adiamento como certo.
Qual a alíquota de IBS e CBS para 2027?
Ainda não foi fixada. O Senado tem prazo até 15 de dezembro de 2026 para fixar a alíquota de referência. Qualquer percentual citado antes disso é estimativa, e não serve para precificar contrato.
Vocês atendem em inglês e espanhol?
Sim. Demonstrações, pareceres e a interlocução com matriz estrangeira, trading ou comprador externo acontecem no idioma do interlocutor e no formato que ele usa para decidir.
Dá para calcular a margem antes de fechar o preço?
É exatamente o ponto. Com o custo de capital da empresa, o prazo real da operação e o histórico de retorno do crédito, a margem real sai antes da assinatura, e não três meses depois no fechamento do trimestre.
Diagnóstico da sua operação de comércio exterior
Duas operações recentes reconstruídas com as três linhas que faltam, o saldo credor medido com prazo de retorno, e o cabimento de regime aduaneiro por linha de produto.
Agendar o diagnósticoRevisado em . Base normativa desta página: Constituição Federal, art. 155, §2º, X; LC 214/2025; Regulamento Aduaneiro; rito de fixação da alíquota de referência com prazo do Senado em 15/12/2026.
