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Complexo portuário de Itajaí e Navegantes, com pátio de contêineres e um navio manobrando no rio Itajaí-Açu

Importadores, exportadores, tradings e a cadeia do porto

Contabilidade para comércio exterior e cadeia portuária

O complexo de Itajaí e Navegantes movimenta a maior concentração de pescado do país e um dos maiores fluxos de contêiner do Sul. Aqui a margem não se perde na negociação, se perde em três linhas que não entram no preço.

Você opera com margem de poucos pontos percentuais e financia imposto que não é seu.

O crédito entra na conta gráfica na nacionalização, a venda sai imune na exportação, e o dinheiro fica onde ninguém consegue explicar direito. Enquanto isso o capital de giro que sustenta o embarque vem de banco, a CDI mais spread.

E no fim do trimestre a margem veio menor do que a proposta dizia, sem que ninguém consiga apontar onde.

Primeiro problema: a margem que some entre a proposta e o fechamento

A maior parte das operações de comércio exterior é analisada depois. Fecha-se o câmbio, embarca-se, e no fim do trimestre alguém descobre que a margem foi menor do que a esperada.

Em quase todos os casos a diferença está em três linhas que ninguém carregou para dentro do preço: o custo financeiro do prazo, o crédito que ficou parado, e a variação cambial do período entre a fatura e a liquidação.

Exemplo numérico 1 · uma operação de R$ 2,4 milhões

Mercadoria, frete e tributos irrecuperáveis somam R$ 1.980.000. Prazo de 96 dias entre o desembolso e a liquidação, capital a 14% ao ano.

Receita da operação R$ 2.400.000 Custo direto R$ 1.980.000 Margem aparente R$ 420.000 17,5% Custo financeiro do prazo R$ 1.980.000 x 14% x 96/365 R$ 72.907 Carrego do crédito parado R$ 158.000 x 14% x 1,4 ano R$ 30.968 Variação cambial não protegida R$ 34.000 Margem real R$ 282.125 11,8%

Cinco vírgula sete pontos percentuais. Numa operação, dá para conviver. Em quarenta operações no ano, é o resultado do exercício inteiro.

420 mil315 mil210 mil105 mil0 R$ 420.000 -72.907 custo do prazo 96 dias -30.968 carrego do crédito parado -34.000 câmbio sem proteção R$ 282.125 margem aparente17,5% margem real11,8% 5,7 pontos que ninguém coloca no preço
Operação de R$ 2,4 milhões, com custo de R$ 1,98 milhão. As três linhas do meio existem em toda operação de comércio exterior e quase nunca entram na formação do preço.
O que entra na margem por operação, e onde costuma faltar
LinhaCostuma estar no preçoO que fazemos entrar
Mercadoria e frete internacionalSimConferência do incoterm contra o custo realmente assumido
Tributos na nacionalizaçãoSimSeparação entre o que é custo e o que é crédito recuperável
Porto, armazenagem e sobrestadiaEm parteRateio por operação, com o custo do tempo parado
Custo financeiro do prazoRaramenteDias entre desembolso e liquidação, ao custo real de capital
Crédito acumulado gerado pela operaçãoQuase nuncaPrazo estimado de retorno e custo de carregar
Exposição cambial não protegidaRaramentePosição por vencimento e o custo da proteção quando ela cabe

Segundo problema: o crédito que financia o Estado

Exportação é imune com manutenção de crédito. A frase é simples e o efeito de caixa é o oposto disso. Quanto maior a fatia exportada do seu faturamento, menos débito interno você tem para absorver o crédito das entradas, e mais rápido o saldo se acumula.

Exemplo numérico 2 · o custo de carregar saldo credor

Operação com faturamento mensal de R$ 5.000.000, sendo 55% exportação e 45% mercado interno.

Crédito de entradas tributadas R$ 2.400.000 x 11% = R$ 264.000 / mês Débito das saídas internas R$ 5.000.000 x 45% x 7% = R$ 157.500 / mês Acúmulo mensal = R$ 106.500 Acúmulo em doze meses = R$ 1.278.000 Custo de carregar esse saldo saldo médio no ano R$ 639.000 a 12% ao ano = R$ 76.680

O trabalho aqui tem três frentes: reduzir a formação do saldo pela estrutura de compras, transferir a fornecedor o que é transferível, e transformar o ressarcimento em rotina com data, e não em evento que alguém lembra de fazer uma vez por ano.

Terceiro problema: a reforma muda quem credita o quê

Para quem importa e revende, o desenho da não cumulatividade de IBS e CBS tende a ser mais limpo do que o atual. Para quem industrializa a partir de matéria-prima desonerada, ele piora.

O caso mais nítido desta cidade é o do pescado. A matéria-prima entra a alíquota zero e não gera crédito na entrada, enquanto a saída do industrializado é integralmente tributada. Sob o regime de PIS e Cofins que está sendo substituído, o pescado processado tinha alíquota zero com manutenção de crédito. A conserveira de Itajaí piora nas duas pontas ao mesmo tempo.

A data que trava contrato. O Senado tem até 15 de dezembro de 2026 para fixar a alíquota de referência de IBS e CBS para 2027. Sem esse número, nenhum contrato plurianual de 2027 se precifica com segurança, e a cláusula de revisão tributária deixa de ser formalidade para virar a cláusula mais importante do instrumento. Quem assinar contrato de 2027 sem ela assumiu um risco que não precisava assumir.

Quarto problema: o interlocutor não fala português

Quando o outro lado é matriz estrangeira, trading, comprador internacional ou instituição financeira de fora, a conversa muda de formato. Não basta traduzir o balancete. É preciso apresentar a operação na estrutura que aquele interlocutor usa para decidir.

Esta é a página em que a experiência de estruturação de dívida junto a instituições como BNDES, FINEP, BASA, BNB, CAF e BID deixa de ser linha de currículo e vira ferramenta de trabalho. Demonstrações, pareceres e a interlocução acontecem em português, inglês ou espanhol, conforme quem estiver do outro lado.

O que entregamos

Frentes de trabalho e periodicidade
FrenteO que sai da nossa mesaRitmo
Margem por operaçãoResultado por embarque com custo financeiro, crédito parado e exposição cambial dentro da conta, calculado antes de fechar o preçoPor operação
Saldo credorLevantamento por origem, plano de transferência e ressarcimento com dataTrabalho inicial e acompanhamento mensal
Regimes aduaneirosVerificação de cabimento de drawback e demais regimes, linha de produto por linha de produtoProjeto
CâmbioPosição por vencimento, com o resultado de variação separado do resultado operacionalMensal
Reforma tributáriaClassificação por NCM, efeito na cadeia e redação da cláusula de revisão dos contratos de 2027Estudo, com revisão a cada ato novo
Interlocução internacionalDemonstrações e pareceres em inglês e espanhol, no formato que a matriz ou o comprador usaSob demanda
Retrato de Antonio Nóboa

Quem assina este trabalho

Antonio Nóboa. Contador, CRC RJ-082992/O-1-T. CFO(BR)® certificado pelo IBEF-SP, certificado nº 301. MBA em Agronegócios USP/ESALQ. Membro da Sociedade Rural Brasileira. Autor de Finanças Corporativas para o Agronegócio: Da Roça às Tradings, Editora Cátedra, lançamento em 2026.

A primeira conversa pode acontecer na sua empresa.

Perguntas que chegam antes da primeira reunião

Exportação gera crédito?

A exportação é imune, com manutenção do crédito das entradas. O problema não é o direito ao crédito, é o tempo até ele virar caixa: sem débito interno suficiente, o crédito se acumula na conta gráfica e passa a custar capital de giro.

Quando o split payment começa a valer?

Foi anunciado adiamento para além de janeiro de 2027, com o recolhimento na liquidação financeira como alternativa opcional. O anúncio se deu em reunião do Comitê Gestor do IBS. Contrato de 2027 não deve assumir o adiamento como certo.

Qual a alíquota de IBS e CBS para 2027?

Ainda não foi fixada. O Senado tem prazo até 15 de dezembro de 2026 para fixar a alíquota de referência. Qualquer percentual citado antes disso é estimativa, e não serve para precificar contrato.

Vocês atendem em inglês e espanhol?

Sim. Demonstrações, pareceres e a interlocução com matriz estrangeira, trading ou comprador externo acontecem no idioma do interlocutor e no formato que ele usa para decidir.

Dá para calcular a margem antes de fechar o preço?

É exatamente o ponto. Com o custo de capital da empresa, o prazo real da operação e o histórico de retorno do crédito, a margem real sai antes da assinatura, e não três meses depois no fechamento do trimestre.

Diagnóstico da sua operação de comércio exterior

Duas operações recentes reconstruídas com as três linhas que faltam, o saldo credor medido com prazo de retorno, e o cabimento de regime aduaneiro por linha de produto.

Agendar o diagnóstico
Antonio Nóboa, contador, CRC RJ-082992/O-1-T. CFO(BR)® certificado pelo IBEF-SP. MBA em Agronegócios USP/ESALQ.
Revisado em . Base normativa desta página: Constituição Federal, art. 155, §2º, X; LC 214/2025; Regulamento Aduaneiro; rito de fixação da alíquota de referência com prazo do Senado em 15/12/2026.