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Armazém de insumos com big bags empilhados e empilhadeira em operação

Revendas, distribuidoras e cooperativas de insumo

Contabilidade para distribuidora de insumos agrícolas

Você vende adubo, semente e defensivo com prazo de safra. Isso é crédito, e crédito tem custo, risco e concentração que precisam aparecer antes do fim do ciclo.

Você compra do fornecedor a trinta ou sessenta dias e vende ao produtor com vencimento na colheita. No meio disso existe um intervalo que você financia, com dinheiro seu ou de banco, e que não aparece em nenhuma linha da sua demonstração de resultado.

Enquanto a safra vem boa, a conta fecha e ninguém pergunta. O ano em que ela não vem, a pergunta chega inteira de uma vez.

DUAS EMPRESAS QUE FAZEM A MESMA COISA O BANCO Analisa cadastro e capacidade de pagamento Exige garantia real ou aval Provisiona a perda esperada Declara a taxa e o custo do dinheiro Tem limite por cliente e por setor Responde a um regulador Sabe quanto custa emprestar A REVENDA DE INSUMOS Analisa o histórico de relacionamento Aceita a safra como garantia implícita Reconhece a perda quando ela chega Embute o custo do prazo no preço, sem separar Concentra em poucos clientes grandes Responde à própria diretoria Descobre no fim da safra
A revenda financia produção com prazo de safra, que é exatamente o que um banco faz. A diferença não está na operação, está nos instrumentos de controle que uma tem e a outra não.

O que muda com a reforma para quem vende insumo

A Lei Complementar nº 214/2025 prevê redução de sessenta por cento das alíquotas de IBS e de CBS para insumos agropecuários e aquícolas, alcançando fertilizantes, defensivos, sementes e rações. É uma redução de alíquota, e não uma isenção, e por isso ela continua gerando débito e continua permitindo crédito na cadeia.

Existe um ponto que ainda não está fechado e que decide o tamanho do efeito na sua empresa: a lista atualizada de produtos e insumos beneficiados depende de atos complementares do Comitê Gestor do IBS e da Receita Federal. Quem hoje apresenta a você uma simulação fechada da sua carga em 2027 preencheu o campo da alíquota de referência com uma suposição, porque essa alíquota ainda não foi fixada. O Senado tem prazo até 15 de dezembro de 2026 para fixá-la.

O que dá para fazer agora, e que é útil de verdade, é outra coisa: mapear a sua matriz de produtos por classificação fiscal, separar o que entra na redução do que não entra, e montar o cenário com a alíquota como variável. Assim, no dia em que o número sair, a sua resposta leva horas e não meses.

O barter, e onde ele costuma ser lançado errado

A troca de insumo por produto agrícola é uma operação com duas pernas, e cada perna tem tratamento próprio. A entrega do insumo é venda, com receita e tributo no momento em que ocorre. O recebimento da saca é compra de mercadoria, com custo e crédito no momento em que ocorre. A liquidação por encontro de contas não apaga nenhuma das duas.

Quando as duas pernas são tratadas como uma permuta única, três coisas se perdem: a receita do período fica menor do que foi, o estoque de produto agrícola entra por valor errado, e a variação de preço da commodity entre a entrega e a liquidação deixa de aparecer como resultado financeiro. Essa variação existe, é grande e é do seu bolso.

O VALE ENTRE O PLANTIO E A COLHEITA entra sai compra e entrega do insumo recebimento da safra jan jul dez quatro meses financiados por você
O insumo sai do seu estoque no plantio e o dinheiro volta na colheita. O intervalo entre os dois é capital de giro, e ele tem custo mesmo quando ninguém o registra numa linha.

Concentração: a conta que ninguém abre

Revenda costuma ter poucos clientes grandes e muitos pequenos. Quando você soma o saldo a receber dos cinco maiores, o número frequentemente passa de metade da carteira. Isso quer dizer que a solvência da sua empresa está atrelada à colheita de cinco propriedades, e não à do município inteiro.

Um banco não pode operar assim, porque existe limite regulatório. Você pode, e é justamente por isso que precisa de um limite próprio, escrito, e de uma leitura de exposição por cliente, por cultura e por região. Uma geada localizada, uma praga numa cultura específica, ou a queda de preço de uma commodity só, e a sua carteira inteira se move junto.

O que olhar na carteira, com que frequência
IndicadorO que ele respondeQuando olhar
Exposição dos cinco maioresQuanto da sua solvência depende de poucas propriedadesMensal
Exposição por culturaSe um evento numa cultura leva a carteira juntoA cada abertura de safra
Prazo médio de recebimento contra prazo médio de pagamentoQuantos dias de operação você financia com dinheiro próprioMensal
Custo de carregar o prazo concedidoQuanto do preço de venda é juro embutido e não margemA cada tabela de preço
Perda histórica por safraQual provisão a sua própria série pedeAnual, com série de cinco anos
Cobertura de garantiaQuanto da carteira tem CPR, penhor ou aval, e quanto tem só confiançaMensal

O preço que você acha que pratica

Uma revenda que vende a trezentos e sessenta dias com o mesmo preço de tabela da venda à vista não está dando desconto zero. Está dando um desconto do tamanho do custo do dinheiro por um ano, e chamando isso de margem.

Separar as duas coisas muda a conversa comercial inteira. O vendedor passa a negociar duas coisas em vez de uma: preço e prazo. E a diretoria passa a saber quanto do resultado veio de vender bem e quanto veio de financiar, que são competências diferentes e riscos diferentes.

O que fazemos numa distribuidora de insumos

Perguntas que chegam antes da primeira reunião

A redução de sessenta por cento já vale?

A Lei Complementar nº 214/2025 prevê a redução para insumos agropecuários e aquícolas. A lista atualizada de produtos beneficiados depende de atos complementares do Comitê Gestor do IBS e da Receita Federal, e a alíquota de referência ainda não foi fixada. Por isso o trabalho útil agora é mapear a matriz de produtos e deixar a alíquota como variável.

Como registrar uma operação de barter?

Como duas operações. A entrega do insumo é venda, com receita e tributo no momento em que ocorre. O recebimento do produto agrícola é compra, com custo e crédito no momento em que ocorre. A liquidação por encontro de contas não apaga nenhuma das duas, e a variação de preço da commodity entre elas é resultado financeiro.

Qual provisão para perda eu devo usar?

A que a sua própria série de cinco safras indicar, aberta por cultura e por faixa de cliente. Percentual de mercado não serve, porque a sua concentração e a sua região não são as do mercado.

Preciso de CPR em toda venda a prazo?

Não em toda, mas você precisa saber qual parcela da carteira tem garantia formal e qual tem só relacionamento. É essa proporção, e não o total a receber, que diz o tamanho do seu risco.

Vende a prazo é receita ou é crédito?

É os dois, e o problema começa quando só o primeiro aparece na contabilidade. A venda gera receita, e o prazo gera uma operação de crédito com custo e risco que precisam ser medidos em separado.

Traga a sua carteira e a sua tabela de preço

Com o contas a receber aberto por cliente e a tabela de preço por prazo, o diagnóstico separa quanto do seu resultado veio de vender e quanto veio de financiar.

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Antonio Nóboa, contador, CRC RJ-082992/O-1-T. CFO(BR)® certificado pelo IBEF-SP. MBA em Agronegócios USP/ESALQ.
Revisado em . Base normativa desta página: LC nº 214/2025, redução de alíquota para insumos agropecuários e aquícolas; Lei nº 8.929/1994 (CPR); Lei nº 4.829/1965; EC nº 132/2023.