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Tributação rural

Funrural em 2026: quando a folha custa menos que a receita

A alíquota subiu para 1,63% em abril e moveu o ponto de equilíbrio. A opção se manifesta no pagamento de janeiro e é irretratável no ano.

Em abril de 2026 a alíquota do Funrural subiu, e quase ninguém refez a conta que ela decide.

A conta que importa não é quanto você paga, e sim qual base custa menos. Ela mudou de lugar em abril.

O que mudou, e por um caminho que ninguém esperava

A Lei Complementar nº 224, de 26 de dezembro de 2025, cortou linearmente dez por cento dos incentivos e benefícios tributários federais. A Receita Federal entendeu que a alíquota do Funrural é um benefício frente à contribuição patronal padrão de vinte por cento sobre a folha, e aplicou o acréscimo sobre a parcela previdenciária. A operacionalização veio pela Instrução Normativa RFB nº 2.321, de 6 de abril de 2026.

Contribuição sobre a receita bruta da comercialização da produção rural
ContribuinteAté 31/03/2026Desde 01/04/2026Composição atual
Pessoa física1,50%1,63%1,32% INSS + 0,11% RAT + 0,20% Senar
Pessoa jurídica2,05%2,23%1,87% INSS + 0,11% RAT + 0,25% Senar
Segurado especial1,50%1,50%sem majoração

Repare que o Senar ficou de fora do acréscimo, por ser contribuição de terceiros. Foi assim que 1,20% virou 1,32% e 0,10% virou 0,11%.

A conta que interessa

O produtor rural pode contribuir sobre a receita bruta da comercialização ou sobre a folha de salários. Sobre a folha, a carga reúne INSS patronal de vinte por cento, RAT de um a três por cento conforme o CNAE, e terceiros de 5,8%. Com RAT de um por cento, dá 26,8%.

Exemplo numérico · receita de R$ 6.000.000 no ano

Base receita, hoje R$ 6.000.000 x 1,63% = R$ 97.800 Folha que produz a mesma conta R$ 97.800 / 26,8% = R$ 364.925 Base receita, até março de 2026 R$ 6.000.000 x 1,50% = R$ 90.000 folha equivalente = R$ 335.821 Deslocamento do ponto de equilíbrio R$ 29.104

Se a sua folha anual está entre R$ 335 mil e R$ 365 mil, você mudou de lado da conta em abril de 2026. Abaixo de R$ 365 mil de folha, hoje, a base folha custa menos. Acima, a base receita custa menos.

Em percentual, o equilíbrio está em folha equivalente a 6,08% da receita para a pessoa física, contra 5,60% antes da mudança. Para a pessoa jurídica, 8,32% contra 7,65%.

A decisão tem data e não tem volta

A opção pela contribuição sobre a folha, da Lei nº 13.606/2018, se manifesta pelo pagamento da contribuição relativa à competência de janeiro, e vale para todo o ano-calendário. Não há retratação no meio do caminho.

Quem deixa para pensar em fevereiro já decidiu, e decidiu sem fazer a conta.

E há uma discussão que você precisa conhecer

Existe corrente sustentando que o Funrural não é benefício fiscal, e sim critério de incidência substitutivo, e que a Lei Complementar 224/2025 portanto não o alcança.

Não damos essa discussão por encerrada e não recomendamos recolhimento a menor sem medida judicial própria. Recomendamos que o valor em disputa seja quantificado na sua operação, para que a decisão de discutir ou não seja tomada com número na mesa.

No mesmo terreno, o Supremo Tribunal Federal tem a ADI 4.395 em julgamento, sobre a sub-rogação do Funrural. Quem adquire produção de produtor rural pessoa física precisa acompanhar o resultado, porque ele decide quem recolhe.

O que fazer agora

Isto vale para a sua empresa?

Este artigo explica a regra. O que ela faz com o seu caixa depende dos seus números, e essa conta a gente faz junto no diagnóstico, sem custo.

Ver a página de produtor rural ou agendar o diagnóstico.

Retrato de Antonio Nóboa

Quem assina este trabalho

Antonio Nóboa. Contador, CRC RJ-082992/O-1-T. CFO(BR)® certificado pelo IBEF-SP, certificado nº 301. MBA em Agronegócios USP/ESALQ. Membro da Sociedade Rural Brasileira. Autor de Finanças Corporativas para o Agronegócio: Da Roça às Tradings, Editora Cátedra, lançamento em 2026.

A primeira conversa pode acontecer na sua empresa.

Antonio Nóboa, contador, CRC RJ-082992/O-1-T. CFO(BR)® certificado pelo IBEF-SP. MBA em Agronegócios USP/ESALQ.
Revisado em . Base normativa desta página: LC nº 224, de 26/12/2025, art. 4º; IN RFB nº 2.321, de 06/04/2026; Lei nº 13.606/2018; ADI 4.395, STF.

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