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Financiamento

Custo de produção: como calcular e onde cortar

Era sobre o café da Zona da Mata. Vira sobre a maré, a safra e o embarque do Vale do Itajaí.

Quase todo produtor sabe quanto gastou. Poucos sabem quanto custou.

A diferença entre as duas coisas é o que decide se você vende agora ou espera, se planta de novo ou arrenda, e se aquele barco ainda paga o próprio óleo.

Primeiro, a unidade certa

O erro que anula todo o resto é calcular custo por mês. O mês é unidade do calendário, não da produção.

A unidade de custo de cada cadeia
CadeiaUnidadePor quê
Pesca de capturaA viagem, e a tonelada desembarcadaO custo é integralmente antecipado e não se repete no mês
LavouraA safra, e o hectare ou a sacaO ciclo biológico não coincide com o exercício
PecuáriaA arroba, e o ciclo do loteO animal atravessa exercícios
Indústria de processamentoA tonelada processada, e a linha de produtoCada linha tem rendimento e tratamento tributário próprios
Comércio exteriorO embarquePrazo, câmbio e crédito parado variam operação a operação

Segundo, as três camadas

Custo variável. Varia com a quantidade produzida. Insumo, embalagem, frete de venda, comissão. É o que se corta quando se decide produzir menos.

Custo fixo. Existe independentemente da produção. Depreciação, seguro, manutenção programada, salário de estrutura, licença, contabilidade. É o que continua quando a produção para.

Custo de oportunidade. O que o seu capital e a sua terra renderiam em outro uso. Não sai do caixa e é o que separa uma operação que dá lucro de uma que apenas empata.

A particularidade da pesca de captura. Nela, praticamente todo o custo é fixo em relação ao resultado da viagem, inclusive a tripulação, que é paga antes da saída no polo industrial. Não existe custo variável de peso, e a conta acima muda de forma: cada tonelada não capturada reduz a receita sem reduzir o custo incorrido.

Terceiro, o que quase sempre fica de fora

As seis linhas mais esquecidas
LinhaPor que fica de foraQuanto costuma pesar
Depreciação real dos bensNão sai do caixaMuito, em operação intensiva em máquina ou embarcação
Pró-labore de quem toca a operaçãoO dono não se paga, ou se paga informalmenteDistorce a margem por inteiro
Custo financeiro do prazoAparece como despesa financeira, longe do custoCresce com o prazo de recebimento
Perda, quebra e refugoSome no meio do estoqueConcentra-se em poucas linhas de produto
Crédito tributário paradoNinguém trata como custoPesa onde há exportação ou desoneração na saída
Parada obrigatóriaDefeso e entressafra não têm receita e têm custo fixoÉ previsível, e por isso orçável

A penúltima é a mais invisível. Quem exporta ou vende com alíquota zero acumula crédito que não vira caixa, e carregar esse crédito tem custo de capital, mês a mês, exatamente como um financiamento.

Quarto, onde cortar de verdade

Corte de custo em atividade produtiva costuma começar pelo lugar errado: pelo que é fácil de cortar, e não pelo que pesa.

Quinto, o ponto de equilíbrio

Com as três camadas separadas, sai o número que realmente decide: quanto você precisa produzir, ou a que preço precisa vender, para cobrir o custo total.

É esse número que responde se vale sair para a maré, se vale plantar de novo, se vale segurar o estoque esperando preço melhor. E é ele que quase nunca está calculado quando a decisão precisa ser tomada.

O que fazer agora

Isto vale para a sua empresa?

Este artigo explica a regra. O que ela faz com o seu caixa depende dos seus números, e essa conta a gente faz junto no diagnóstico, sem custo.

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Retrato de Antonio Nóboa

Quem assina este trabalho

Antonio Nóboa. Contador, CRC RJ-082992/O-1-T. CFO(BR)® certificado pelo IBEF-SP, certificado nº 301. MBA em Agronegócios USP/ESALQ. Membro da Sociedade Rural Brasileira. Autor de Finanças Corporativas para o Agronegócio: Da Roça às Tradings, Editora Cátedra, lançamento em 2026.

A primeira conversa pode acontecer na sua empresa.

Antonio Nóboa, contador, CRC RJ-082992/O-1-T. CFO(BR)® certificado pelo IBEF-SP. MBA em Agronegócios USP/ESALQ.
Revisado em . Base normativa desta página: Metodologia de custeio aplicada à atividade agropecuária; CPC 16 e NBC TG 29 (R2).

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