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Pescado

A classificação do pescado em IBS e CBS, posição por posição

Peixe fresco em alíquota zero, conserva em alíquota cheia, e a cunha de preço que isso cria na gôndola.

Na reforma, o tratamento do seu produto não depende do que ele é. Depende de onde ele está classificado.

E, no pescado, a mesma espécie pode estar em três tratamentos diferentes conforme a forma de apresentação.

O que a lei classificou

A Lei Complementar 214/2025 instituiu a Cesta Básica Nacional de Alimentos com alíquota zero de IBS e CBS. O anexo que a define relaciona, no mesmo rol de arroz, feijão, leite e carnes bovina, suína e de aves, os peixes das posições 03.02, 03.03 e 03.04.

É classificação expressa, em lei complementar, sem remissão e sem cláusula geral. Quando o Estado brasileiro precisou classificar o pescado para fins de política de alimento, classificou-o no mesmo rol do arroz e do feijão.

Tratamento do pescado em IBS e CBS
ProdutoTratamento
Peixes das posições 03.02, 03.03 e 03.04, espécies de consumo popularAlíquota zero, Cesta Básica Nacional
Salmão, truta, bacalhau, haddock e atumAlíquota integral, em todas as apresentações
Crustáceos, exceto lagostas, e moluscos, exceto ostrasRedução de 60%
Peixe vivo, art. 137Redução de 60%, com tratamento de insumo agropecuário
Conservas e enlatados, posição 16.04Alíquota integral

alíquota zeroredução de 60%alíquota integral

A inversão que a indústria de conserva ainda não computou

Sob o regime de PIS e Cofins que está sendo substituído, o pescado processado era beneficiado com alíquota zero e manutenção de crédito.

Sob IBS e CBS, a matéria-prima adquirida com alíquota zero não gera crédito na entrada, enquanto a saída do produto industrializado é integralmente tributada.

A conserveira piora nas duas pontas ao mesmo tempo. Perde o crédito de entrada que a desoneração da matéria-prima elimina, e passa a recolher integralmente na saída, onde antes não recolhia.

A cunha de preço na gôndola

Sardinha fresca sai com alíquota zero. Sardinha em lata sai com alíquota cheia. As duas competem pelo mesmo orçamento doméstico, na mesma seção do varejo, sob o mesmo critério de preço por unidade de proteína.

E vale lembrar o que a conserva representa em segurança alimentar: proteína animal de baixo custo unitário, estável em prateleira, que dispensa refrigeração, com validade longa, acessível a domicílio de baixa renda e a região sem cadeia de frio consolidada. É exatamente o produto que a política de alimento existiria para proteger.

O que está em movimento. Tramita na Câmara dos Deputados o PLP 80/2025, que propõe incluir a sardinha em conserva na Cesta Básica Nacional. A proposição não alcança o atum em conserva nem o atum in natura, o que mantém de fora a espécie que sustenta boa parte do parque de conservas de Itajaí.

Por que a classificação virou trabalho de contabilidade

Enquanto o tratamento era por regime, bastava saber em que regime a empresa estava. Agora o tratamento é por mercadoria, e a mesma empresa pode ter linhas de produto em três tratamentos diferentes.

Isso muda quatro coisas na rotina:

O que fazer agora

Isto vale para a sua empresa?

Este artigo explica a regra. O que ela faz com o seu caixa depende dos seus números, e essa conta a gente faz junto no diagnóstico, sem custo.

Ver a página de pescado ou agendar o diagnóstico.

Retrato de Antonio Nóboa

Quem assina este trabalho

Antonio Nóboa. Contador, CRC RJ-082992/O-1-T. CFO(BR)® certificado pelo IBEF-SP, certificado nº 301. MBA em Agronegócios USP/ESALQ. Membro da Sociedade Rural Brasileira. Autor de Finanças Corporativas para o Agronegócio: Da Roça às Tradings, Editora Cátedra, lançamento em 2026.

A primeira conversa pode acontecer na sua empresa.

Antonio Nóboa, contador, CRC RJ-082992/O-1-T. CFO(BR)® certificado pelo IBEF-SP. MBA em Agronegócios USP/ESALQ.
Revisado em . Base normativa desta página: LC 214/2025, Cesta Básica Nacional e art. 137; PLP 80/2025, em tramitação na Câmara dos Deputados; Nota Técnica ANEDIGA nº 01/2026, Tabela 6.

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